segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Mais Uma Boa Frase Pro Vocabulário Científico-Elaborado do Menino Lobo

Estava assistindo ao telejornal, não me lembro bem o assunto da matéria, mas havia uma bióloga sendo entrevistada. Falavam de umas árvores que seriam "transplantadas". Iam mudar as árvores de lugar, estavam atrapalhando o progresso (dos carros).

Em meio a uma frase e outra a bióloga soltava essa, "bem, trata-se de uma árvore nativa". Mais um pouco de conversa, a bióloga em frente à outra árvore, informava mais uma vez, "bem, trata-se de uma árvore nativa". Ela repetiu tantas vezes essa frase que isso ficou martelando em minha cabeça. Algo ali era familiar. Não lembrava, minha memória está uma merda, acho que preciso tomar algum remédio, desisti. Desencanei. De repente lembrei.
Meu amigo Ayala, dando uma verdadeira aula de biologia para uma platéia embasbacada tamanho seu conhecimento sobre o ecositema que nos rodeava.


Estávamos em Itabirito, um pequeno município no interior de Minas Gerais, bem ao norte, em uma espécie de Woodstock tropical. O “Menino Lobo” Ayala, um paraguaio bebedor de cerveja dos bons, mateiro e de coração grande, respondia sem titubear as mais exigentes perguntas sobre as espécies do local. Identificava facilmente a origem, tipo de alimentação e, principalmente, o nome científico. Era só (uma garota) perguntar e ele respondia prontamente, "bem, esse aí é um eucalyptus communis", "ah, esse é um 'espécime' de rathazonus de mattus, raro nessa região", "frutifyrus chinnelus", e por aí vai. A mulherada ficava impressionada com a habilidade do Mogli paraguaio. E eu também, é claro.
Aí, quando estávamos sós, ele disse na maior cara dura, "Ademir, viu só! É só dizer uns nomes difíceis, com uns ‘usss’ no final, que elas caem direitinho”.

Dia desses, depois de almoçarmos em um restaurante na beira de uma estrada, enquanto fumávamos um cigarro próximo a um pequeno matagal, ele avistou um ganso, ou gansa, sei lá, chocando em um ninho. Sem tirar os olhos da ave, ele deu um longo trago em seu cigarro e, com a seriedade e conhecimento próprios de um professor, disse, “Esse é um 'Ghansuss Chocanduss'”.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Imperdível


Paulo César Peréio, João Velho e Neca Zarvos


Escuta, Zé Mané!

Sesc Paulista
Av. Paulista, 119
Tel. (011) 3179-3700.
De hoje até 29 de novembro.
Sexta a domingo, às 21h. Ingressos: R$ 20. 16 anos.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Depois de um Tempo

Hoje acontece o show da banda Fábrica de Animais no Café Aurora. Com participação especialíssima de Marcus Linari, vocalista da banda La Carne. Que a propósito, se apresenta na próxima terça, dia 27, no mesmo palco.






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Enfim a mudança. Nos últimos meses permaneci na toca. Repensei algumas atitudes que estavam literalmente acabando comigo. Fiz, refiz e desfiz algumas amizades(?), enumerei fraquezas, refiz alguns planos que permaneceram por dez meses esquecidos no fundo do baú e joguei fora alguns entulhos que povoavam minha mente. Que também estavam me fodendo. Estou tentando dar continuidade a muitas coisas importantes que fui deixando de lado durante esse período, nem sei ao certo como ou quando exatamente isso aconteceu, só sei que meu trabalho e minha dignidade foram encostados em um canto escuro da sala, onde acumularam poeira e foram se distanciando cada vez mais do meu dia a dia. Acabei me metendo onde não fora chamado. Me toquei a tempo. Saí de fininho. Como se sai de uma festa que não agrada. Percebi também que tenho uma montanha de defeitos, problemas e sonhos. E estavam todos ali, expostos, os defeitos e os problemas. Os sonhos haviam sido esquecidos. Mas tudo tem melhorado substancialmente, em ritmo lento, porém honesto, honesto comigo mesmo. Agora ouço tranquilamente meu disco favorito em minha velha vitrola (comprei uma nova agulha), enquanto tomo tereré sentado no chão da sala, baforando um cigarro e me esforçando pra entender minha própria letra no caderno de anotações.